Ensinar e aprender esta canção pode ser feito de diversas formas e com estratégias diversificadas que poderá sempre relembrar aqui.
Algumas propostas para uma abordagem a esta canção:
“A dança de roda é seguramente o tipo coreográfico mais difundido na Europa e em todo o mundo. A sua simplicidade contribuiu decerto para isso: os dançadores formam uma roda, intercalando os do sexo masculino com os do feminino. Na fórmula mais difundida, dão as mãos uns aos outros, virados para o centro do círculo, evoluindo a roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De vez em quando, nas ocasiões em que a música o sugere, param e batem palmas, para de seguida retomarem o movimento circular”.
(in Livro "Tradições Musicais da Estremadura" de José Alberto Sardinha, excerto de texto informativo disponível aqui.)
Explorar com as crianças o conceito de canção de roda:
No arranjo da canção aqui apresentado, os sons graves dos instrumentos de corda mantêm-se na mesma nota ao longo de toda a música, sustentando a melodia que se desenrola por cima desta nota pedal. Pode reproduzir-se este efeito fazendo uma interpretação da canção a cappella em que um grupo de alunos cantará esta nota (com um som vocal a definir, por ex. uma consoante nasal ou uma vogal), acompanhando o grupo que canta a melodia. Com texto e sem texto. (Pode ensaiar-se primeiro com a versão áudio.)
Propor uma composição coreográfica em que se reflita a alternância entre os diferentes momentos (cantados ou instrumentais) da canção. (Por ex., na parte instrumental pode circular-se "até uma nova árvore" e na parte cantada parar para cantar e "apanhar a azeitona"; isto pode ser enriquecido com movimentos que evoquem a apanha da azeitona, com alguns elementos a representar as árvores e outros os trabalhadores).
Outra proposta de movimento: propor a criação de uma coreografia para uma dança de roda. Os alunos podem formar uma roda aos pares de mãos dadas, virados para o centro do círculo, evoluindo a roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Definir movimentos coreográficos simples e associá-los a cada parte que compõe a canção, de acordo com o esquema indicado:

No arranjo desta canção, ouve-se uma nota grave constante durante toda a música, neste caso tocada pelos contrabaixos de cordas. Este efeito é associado a outros instrumentos muito antigos, de cordas e de sopro, como a sanfona e a gaita-de-fole, que emitem uma nota pedal contínua que acompanha as melodias.
Pode ver-se aqui como soa e é construída uma sanfona.
Esta canção é muito divulgada e dela são conhecidas várias interpretações e arranjos. Ouvir outras interpretações da música e identificar semelhanças ou diferenças a nível de: instrumentos, vozes, género musical, tempo e forma, entre outras.
Ex.1: interpretação de Vitorino.
Ex.2: interpretação pelo Grupo Alentejano Rastolhice.
Ex.3: do álbum "Canto da Terra", de R. Leal.
Oh rama, oh que linda rama,
Oh rama da oliveira!
O meu par é o mais lindo
Que anda aqui na roda inteira.
Que anda aqui na roda inteira,
Aqui e em qualquer lugar.
Oh rama, oh que linda rama,
Oh rama do olival!
Eu gosto muito de ouvir
Cantar a quem aprendeu.
Se houvera quem m'ensinara,
Quem aprendia era eu!
Não m'invejo de quem tem
Parelhas, éguas e montes;
Só m'invejo de quem bebe
A água em todas as fontes.
Fui à fonte beber água,
Encontrei um ramo verde;
Quem o perdeu tinha amores,
Quem o achou tinha sede.
Debaixo da oliveira
Não se pode namorar;
A folha é miudinha,
Deixa passar o luar.