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Cante

A padeirinha

Canção tradicional alentejana cuja temática é a despedida da Padeirinha por quem toda a gente chora, bate no chão e acerta a pancada.
 

Não sendo a mesma melodia, o cante da Padeirinha poderá estar relacionado com o Canto da Verónica, a que o povo chama "a padeirinha" que é entoado na procissão do Enterro do Senhor, em Sexta-feira de Paixão. A procissão noturna percorre as ruas da localidade. As figuras dos irmãos da Misericórdia, o bater das matracas, o ritmo dos tambores e o canto da Verónica dão à cerimónia um caráter de grande gravidade.

F. Lopes-Graça diz não ter este canto da Verónica nada a ver com a música litúrgica da Igreja, "antes é do tipo das antigas melodias de ar livre, muito comum nas regiões da bacia do Mediterrâneo".
Disc. M. Giacometti/F. Lopes-Graça (1/1), (1/4), (XII), (XVII), (XVIII) e (XX).

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Voz e acomp.
Acompanhamento
Pauta
Análise musical da canção

 

Características melódicas

 

A melodia está na tonalidade de Dó M e tem um âmbito de 7ª menor [Si 2 – Lá 3].

É constituída por notas repetidas e por intervalos melódicos de 2ª (m e M), 3ª (m e M) e 4ª Perfeita.

A melodia é constituída por um antecedente e um consequente de igual duração que são cantados pelo solista e repetidos pelo coro.

 

Características rítmicas

 

A melodia está escrita no compasso 4/4, quaternário de tempos de divisão binária.

O ritmo é silábico, na forma como está escrito, mas são feitas inflexões melismáticas, ao estilo do Cante. Está quase exclusivamente escrito em colcheias, com entradas em anacruse e mínimas nos finais de frases (sincopadas no consequente) e algumas células de [colcheia com ponto de aumentação + semicolcheia]

O andamento é moderado (Andante), sem variações. 

 

Forma

 

A canção tem uma só frase (A), constituída por um antecedente (a) e um consequente (b) que são cantados pelo solista - que no Cante Alentejano se chama “ponto” e que normalmente começa a cantar sozinho - e repetidos pelo coro (aabb).

A frase é cantada três vezes, já que a canção tem três estrofes, com um plano formal AA’.

 

 

Arranjo/Instrumentação

 

O arranjo segue o plano formal seguinte: Introdução A A A interlúdio A A A Coda.

Apesar da tradição do Cante ser na sua origem só vocal, apresenta-se aqui acompanhado pela Viola Campaniça com uma introdução de 4 compassos a solo. A canção, com 3 versos, repete-se duas vezes existindo um interlúdio antes da repetição e uma coda no final.

 

 

 

 

Mocinhos em cante - Gravado por Gilberto Costa e Celestino Dias no auditório da Ovibeja.

Viola campaniça por Paulo Colaço - Gravado por Gilberto Costa no Conservatório de música de Beja.

Misturado e masterizado por Gilberto Costa.
Edição de partituras e vídeo por Carlos Gomes.

Ficha da canção
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Pauta
Letra

A PADEIRINHA

 

Lá na minha aldeia, 

toda a  gente chora.

Pela padeirinha, 

que se vai embora.

 

Que se vai embora,

já está d’abalada.

Bate padeirinha 

e acerta a pancada.

 

Acerta a pancada, 

acerta-a no chão.

Bate padeirinha  

do meu coração.

 

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Cante, Alentejo, profissões
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